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A história de uma acadêmica de Psicologia, deficiente visual, que se reinventa todos os dias

24/09/2017 - 19:52

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Quando falamos em acessibilidades aos deficientes físicos, especificamente nas instituições de ensino, de modo geral, destacamos suas respectivas necessidades como rampas de acesso, elevadores, entre outras estruturas que podem ser oferecidas às pessoas com algum tipo de deficiência.

Mas o que de fato é necessário para atender as necessidades da acadêmica, do segundo período do curso de Psicologia da Associação de Ensino e Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul (AEMS) de Três Lagoas, Paula da Silva Neris, de 17 anos, com deficiência visual, por conta de uma retinopatia da prematuridade.

Melhor explicando, quando a criança nasce prematuramente, e em alguns casos, um determinado órgão não tem tempo de se desenvolver completamente. E este foi o caso de Paula, que desde o nascimento foi diagnosticada com má formação dos vasos da retina, comprometendo completamente a sua visão, a partir dos 16 anos de idade.

A SUA HISTÓRIA

Com o passar do tempo, Paula perdeu totalmente a visão. Ela contou à reportagem que hoje tem apenas a percepção luminosa, isto quer dizer, quando o deficiente visual consegue perceber apenas se está claro ou escuro, considerado categoria de cegueira. Com isto, ela diz ter aprendido a lidar com os diversos desafios do cotidiano e, que o amor e o carinho dos familiares foram fundamentais em sua vida. Segundo ela, as barreiras aos poucos são superadas.

“Até os 16 anos de idade eu tinha 10% da visão do olho direito, eu enxergava com a visão embaçada e do olho esquerdo eu nunca enxerguei, mas eu ainda tinha um pouco de independência. A volta do problema aconteceu no início do ano passado; iniciei o tratamento, mas por conta de várias complicações e fatores biológicos, o oftalmologista que cuidava do meu problema não obteve sucesso. De lá para cá eu costumo dizer que diariamente, venho renascendo”, contou.

Os desafios para ela são diários, pois em tudo isto, conforme relatou, a readaptação é um processo lento. Andar sozinha, e readquirir a confiança, são processos que exige paciência. Neste processo, ela revela que precisou se adaptar a andar de bengala. Paula mora com mais três pessoas, a mãe, uma irmã e, um irmão. Todos a ajudam nas tarefas diárias.

Contudo, mesmo com suas dificuldades, Paula ingressou na faculdade Aems e cursa psicologia. Para chegar até o local, ela conta com a ajuda da irmã e durante as aulas é “abraçada” pelos professores, coordenadores e amigos. Na instituição fiz amizades com pessoas maravilhosas, solidárias, e grandes companheiras, e isto me deixou muito feliz”, contou.


Para a estudante, a estrutura da faculdade é excelente, pois as pessoas são muito abertas ao diálogo, principalmente ao que se refere à coordenação pedagógica, tanto os coordenadores, professores e estudantes. “Todos são afetuosos, sempre dispostos a ajudar e a atender as necessidades do estudante que possui alguma deficiência”, finalizou.

Assessoria de Comunicação AEMS

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